Como funciona a invenção ecológica da França para evitar o xixi na rua

Projetado apenas para homens, equipamento começou a ser implementado em 2017 em Paris

Desde janeiro de 2017, os arredores da Gare de Lyon, uma das estações de trem mais movimentadas de Paris, estão equipados com uma invenção que busca diminuir a quantidade de xixi nas ruas (e de maneira ecológica).

Trata-se de uma espécie de tonel metálico dividido em duas partes. Na superior, há uma abertura para o xixi, que escorre e é armazenado na parte de baixo, abastecida com palha ou serragem.

Após cerca de um ano, a mistura vira um adubo, que pode ser utilizado para fertilizar parques ou jardins. A invenção possui um sistema eletrônico que envia um sinal quando o composto precisa ser coletado e renovado. O fato de não utilizar água é outra vantagem ambiental.

Além de darem origem a um adubo, as reações químicas entre substâncias da palha e do xixi também reduzem o odor, principal incômodo para moradores e pedestres.

A invenção foi nomeada de Uritrottoir — junção das palavras “urine” (urina) e “trottoir” (calçada) — e tem ainda uma jardineira na parte superior, como ornamento para a calçada.

“Nós estamos reutilizando dois resíduos, palha e urina, para produzir algo que faz as plantas crescerem”, disse ao jornal britânico “The Guardian” Laurent Lebot, um dos dois criadores do Uritrottoir, ao lado de Victor Massip. Segundo os dois designers, se trata de um exemplo de “economia circular”.
São três tamanhos disponíveis. A estimativa dos criadores é que o maior comporte o volume de xixi de até 600 pessoas.

Eles se basearam em outro mictório que havia sido criado anos antes pela mesma agência para festivais de música. O Uritonnoir (“entonnoir” significa “funil”) também utiliza palha para compostagem e não necessita de água, mas não é adaptado para uso na cidade.

Ainda há limitações de escala e de público

Até o momento, foram instalados apenas dois Uritrottoirs e somente em Paris — iniciativa da SNCF, companhia ferroviária pública da França, que é prejudicada pelos passageiros que urinam no entorno das estações antes do embarque e gasta altas quantias com limpeza. Nantes, cidade onde os criadores trabalham, deverá ganhar três exemplares a partir de março.

A ideia é testar a eficácia da invenção antes de expandir o uso. Cada Uritrottoir custa de 2.000 a 3.000 euros (de R$ 6.700 a R$ 10.100, aproximadamente).

Outra limitação diz respeito a quem consegue utilizá-lo: o Uritrottoir foi concebido apenas para homens.

“Nós pensamos que era principalmente um problema envolvendo os homens, mas parece que não. Não resolvemos o problema por inteiro. Para as mulheres, a solução [para urinar na rua] não é tão simples”, disse o inventor Laurent Lebot.

Problema também brasileiro

Em 2013, a Prefeitura do Rio de Janeiro começou a instalar mictórios públicos que também não utilizam água e prometiam evitar o odor de xixi. Chamados de Ufa (Unidade de Fornecimento de Alívio), os modelos para mulheres só foram implantados um ano e meio depois.

Em agosto de 2015, triplicou o valor da multa para quem fosse pego urinando na rua no Rio de Janeiro — a taxa passou a ser de R$ 510. No Carnaval 2016, mais de 1.200 pessoas foram multadas por essa razão durante a festa na cidade.

MATHEUS PIMENTEL
/ NEXO

Posted on 2 février 2017 in Brésil, Presse

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